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19 de Setembro de 2014 - Durval Ribas Filho

Os benefícios gerados pela biotecnologia em saúde e nutrição

Dr. Durval Ribas Filho - Presidente da Associação Brasileira de Nutrologia

A biotecnologia representa uma ferramenta importante no combate aos problemas alimentares, como a desnutrição funcional, a obesidade e a fome. Uma das vertentes que influencia diretamente nessa questão é a alteração genética de alimentos. Em um primeiro momento, os organismos geneticamente modificados (OGMs) buscavam proporcionar ganhos expressivos de produtividade, aumentando a resistência das plantas e diminuindo o desperdício. Uma segunda onda teve início recentemente com o intuito de enriquecer os valores nutricionais dos alimentos, como a alface com alto teor de ácido fólico. No futuro, nós seremos capazes de prevenir doenças como a cólera por meio da própria alimentação.

Os OGMs resistentes a ataques de pragas e à utilização de herbicidas são importantes para tornar a produção mais efetiva. A tecnologia torna os alimentos mais abundantes e acessíveis às pessoas, sendo uma ferramenta útil contra a fome. Além disso, os alimentos também podem ter sua durabilidade aumentada. Temos o mamão e o tomate com amadurecimento retardado, que reduz o desperdício devido ao aumento da longevidade. Trata-se de um avanço real e seguro para atender à crescente demanda mundial já que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a oferta de alimentos terá de aumentar 70% nos próximos 40 anos para que todos tenham acesso à comida.

A evolução dessa tecnologia nos possibilita uma aplicação ainda mais avançada, como o enriquecimento nutricional. Pesquisas já são desenvolvidas buscando formas de suprir a necessidade de nutrientes aplicando a alteração genética em alimentos básicos da nossa dieta.

Como exemplos, temos o desenvolvimento da batata rica em amido, para ampliar a fonte de glicose, e o arroz dourado, com alto teor de ferro e vitamina A. Também podemos citar o óleo SOJA ENRIQUECIDO com ômega-3, assim como cana-de-açúcar enriquecida em sacarose. A alface rica em ácido fólico, elemento importante para a prevenção da má formação fetal, está cada vez mais próxima.

A alteração genética também ajuda a produzir alimentos mais saudáveis excluindo características que podem ser prejudiciais à saúde de alguns indivíduos. Um exemplo dessa ação é o leite com baixo teor de lactose, desenvolvido para pessoas intolerantes a essa substância. Há também a soja, o amendoim e o trigo hipoalergênicos, que apresentam menores possibilidades de causar alergias. São benefícios em nutrição gerados diretamente por esse avanço da biotecnologia.

No futuro, dentro de 15 anos, teremos a possibilidade até mesmo de “vacinar” por meio da alimentação. Já é estudada uma batata que produziria uma subunidade da toxina da cólera, prevenindo dessa forma a doença. Outro exemplo seria a batata com o antígeno de superfície da hepatite B ou o tomate que previne doenças respiratórias por meio da inserção controlada do vírus em seu DNA.

Os ganhos oferecidos pela alteração genética serão enormes e ultrapassarão o simples ganho de produtividade. Os benefícios estão se tornando ainda mais profundos, atuando diretamente no enriquecimento nutricional e na prevenção de doenças. Essa tecnologia impacta diretamente a área de nutrição e nutrologia, pois oferecerá inúmeras opções e caminhos para os profissionais dessas áreas.


Artigo - Os ben