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6 de Abril de 2016 - José Cezar Panetta

EM TEMPOS DE CRISE, COMO MANTER A QUALIDADE E A SEGURANÇA DOS ALIMENTOS?

Gestão, qualidade e segurança

As dificuldades econômicas e políticas que afetam atualmente o Brasil são responsáveis por uma série de transtornos no mercado, obrigando tanto o setor produtivo quanto o de serviços, a se adaptarem às novas condições, de sorte a enfrentar problemas de ordem diversa, os quais precisam ser suplantados para manter a credibilidade, a eficiência e a rentabilidade dos negócios.
O setor alimentício, entre outros, não foge à regra: precisa encarar os novos desafios e, principalmente, ser ágil e criativo, para conservar o que conquistou com muito esforço, como a qualidade e a segurança dos alimentos produzidos, industrializados, distribuídos e comercializados.
Acima de tudo, é imperativo manter seus valores e seus processos gerenciais, sem comprometer a filosofia do trabalho implantado.
Todos os setores da cadeia de alimentos têm sofrido muito neste tempo de crise. E dentre os problemas enfrentados, assumem papel preponderante aqueles relacionados à garantia da qualidade e da segurança dos alimentos, em face de questões como a redução de funcionários e de investimento, o cancelamento de consultorias especializadas em qualidade, a necessidade de rebaixamento de preços de venda, entre tantos.
A preocupação estende-se também às autoridades sanitárias, para as quais a crise não pode ser justificativa para se diminuir o grau de sanidade dos alimentos e a vigilância sanitária. Impõe-se, certamente, EM TEMPOS DE CRISE, COMO MANTER A QUALIDADE E A SEGURANÇA DOS ALIMENTOS? bom senso, inteligência e espírito criativo, a fim de preservar as conquistas.
Em momentos como estes, um profissional habilitado em gestão de qualidade e segurança de alimentos, familiarizado com situações adversas e críticas, pode ajudar, e muito, para manter o foco da equipe e suplantar as dificuldades.
Quem trabalha com alimentos, seja nos setores produtivos, quanto naqueles voltados aos serviços de alimentação, conhece perfeitamente a dificuldade e o esforço para atingir a qualidade dos alimentos produzidos. Sabe, como ninguém, que atingir qualidade é tão difícil quanto mantê-la. Mormente, quando o mercado está impregnado por crises de natureza diversa. A proposta do recém-terminado Fórum Internacional de Segurança de Alimentos, realizado nos últimos dias 29 a 31 de outubro, em São Paulo, na Superintendência Federal de Agricultura, foi justamente a de analisar o momento atual que caracteriza a segurança dos alimentos no Brasil, e compará-lo com o que ocorre em outros países.
Uma prospecção preliminar da matéria discutida no Fórum, permite concluir que o Brasil avançou significativamente, nos últimos anos, não só como produtor mundial de alimentos, mas, sobretudo, como produtor de alimentos seguros, em toda a amplidão do termo, sanitário, tecnológico, humanitário, social, econômico, ambiental.
Em algumas questões mais do que em outras, pois existe ainda muito por fazer, porém, é inconteste a evolução. Em uma palavra, não se chega facilmente ao alimento seguro; pelo contrário, para obtê-lo é preciso muito esforço e muito
investimento em qualidade, razão pela qual não se pode correr o risco de comprometê-lo em razão da crise econômico-política que tanto preocupa a sociedade atualmente.
Outra importante constatação dos participantes do Fórum, realmente sugestiva em razão da participação de profissionais oriundos de diferentes regiões brasileiras, é que a situação no Brasil é particularmente heterogênea quando se estuda a segurança dos alimentos produzidos e distribuídos à população.
Ao mesmo tempo que se conta com indústrias de alimentos de primeira magnitude, nas quais são
aplicados os mais modernos sistemas de garantia e de certificação da qualidade, cujos produtos serão incontestavelmente seguros sob os mais amplos aspectos, tem-se, paralelamente, empresas e serviços em outras posições, cujas garantias em relação à segurança dos produtos não são as mesmas, embora sejam, estes produtos, igualmente oferecidos ao mercado. Ora, tais diferenças só deverão se agravar em momentos de crise, como os atuais.
Para proteger os alimentos e, consequentemente, a saúde do consumidor, será necessário, como afirma a Dra. Ellen Lopes (Food Design), que participou ativamente do Fórum, criar uma cultura de segurança de alimentos, ou seja, uma
consciência comportamental que impregne toda a organização, de tal sorte a focar a gestão da segurança de alimentos nas pessoas e não apenas nos processos, nos sistemas de controle.
Sair da crise significa, portanto, para o setor de alimentos, não apenas preservar o que foi conquistado em termos de segurança dos produtos, mas, sobretudo, permitir que empresas que ainda não alcançaram um patamar de maior excelência, possam atingi-lo, qualquer que seja o seu porte, de maneira a defender os alimentos de contaminações e alterações que possam comprometê-los e, principalmente, impedir que os mesmos coloquem em risco a saúde e a vida do consumidor.
Além destas considerações preliminares sobre o Fórum, prepara-se para lançamento em breve uma revista digital que conterá todas as palestras proferidas, além de um texto com todas as intervenções, debates e comentários desenvolvidos durante o evento. Estamos nos colocando à disposição para os detalhes que se fizerem necessários.


José Cezar Panetta
 
Coordenador do Fórum Internacional
de Segurança de Alimentos (SP, 29 a
31/10/2015).
Professor titular aposentado da
Faculdade de Veterinária da USP.
Editor da Revista Higiene Alimentar.